O blog da Dani

Slow reading: onde há leitura, se demore.

Gosto muito de ler por isso leio devagar. Gosto tanto de ler que leio pouco.

Não sinto pressa para terminar nada tampouco para iniciar outro livro.

É estarrecedora a estranha sensação de suspensão da realidade quando esta é obrigada com a mesma força que a lei da gravidade a desfazer-se.

Esse luto é o único que experimento com prazer. Prolongo a brevidade da narrativa através de sua ausência, que sinto com intensidade. É um laço frágil que se estende pelo silêncio.

Não me sinto a mesma depois e nem gostaria de ser; temo a liquidez desse novo eu, mas lembro da máxima: ninguém pode entrar duas vezes no mesmo livro.

Prefiro não negar a brutal e inevitável perda de algo tão valioso, ainda assim, barganho sem sorte a permanência daquilo que é efêmero (antes mesmo do fim).

Me demoro entre as palavras me entregando aquilo que enriquece o que há de mais humano: o sentir.

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Notas:

Quando sinto, sinto por inteiro feito abraço sem julgamentos.

O sentir é pesado, mas não um fardo sendo que cada experiência é uma nova oportunidade para ampliar os sentimentos.

No contexto literário, é gratificante me deparar a genialidade por trás de autores, e quando a reconheço, sinto êxtase, catarse, arrepios, e me torno grata pela literatura ao me proporcionar um vislumbre de uma luz que só já sentiu consegue entender.

Finalizo com uma máxima pessoal: A natureza é um espetáculo do Divino, e a arte é o espetáculo dos Homens.

(Arte - tudo aquilo que fazemos com maestria/com todo o nosso coração).